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UM CANTO A TEOLOGIA SERTANEJA

Um dos meus primeiros empregos foi em uma das mais antigas lojas de CDs do Brasil. Foi um marco em minha vida, pois, fui exposto a tudo quanto é tipo de música e aprendi muito sobre.

Das muitas coisas engraçadas que aconteciam, sempre me chamava atenção os insuportáveis fãs de Beatles e de mpb. Os Beatlemaníacos eram intragáveis por motivos óbvios. Os de mpb me causava espanto por características mais subjetivas. Um cara que vai comprar um CD do Chico Buarque denúncia seu desejo e objetivo da porta, ele exala soberba. 99% dos fãs de mpb se acham mais brasileiros que os demais, eles se entendem como genuínos enquanto os demais são ignorantes e influenciáveis. O meu espanto era semântico, pois, apesar de toda “superioridade” dos iluminados mpbistas, eles não representavam 0,01 do consumo de música. Enquanto Jorge e Mateus, Bruno e Marrone, Leonardo e Milionário e José Rico vendiam 1000 CD`s, Caetano, Gil, Céu e Milton Nascimento não passava de 10, talvez 5.


As grandes gravadoras e o mainstream midiático sempre promoveu com afinco Gil, Chico Buarque e LTDA como músicas que carregavam a verdadeira brasilidade, contudo, os números sempre depuseram contra, pois, mesmo sem ter 10% do impulsionamento midiático, figuras como Amado Batista, Tião carreiro e pardinho e trio parada dura vendiam 1000% a mais.

Independente do que se promovia, são esses grandes vendedores do cotidiano que verdadeiramente representam a música brasileira e a essência do brasileiro. E não me entenda errado, não estou fazendo juízo de valor e não defendo ninguém, sou apenas um febril leitor da frieza dos números.


No seminário, me chamou a atenção o distanciamento que o estudo teológico nos força a ter. Percebi esse fato na realidade pastoral. Lewis, D.A. Carson, Keller, Calvino e Edwards são exponenciais, quem sou eu para falar qualquer “a” das produções teológicas desses colossos, contudo, o que eles fazem pouco agrega ao cotidiano teológico brasileiro. Assim, percebi que até mesmo os teólogos brasileiros fazem teologia no Brasil, mas não teologia bíblica brasileira.


Me perdoa quem não concorda comigo, no entanto, o fato é indiscutível, vários homens amplamente atacados como hereges conseguiram produzir uma teologia mais aguda do que grandes academicistas e pastores piedosos. Novamente, não estou fazendo juízo de valores, apenas lendo com coração quente e a mente fria os fatos.


Assim, precisamos aprender com o dilema da MPB e o Sertanejo e ter humildade de reconhecer, pouco conseguimos comunicar com a massa brasileira, pouco. Nos fechamos em nossas bolhas e achamos suficiente cuidar do meu redil. A teologia sertaneja é um clamor para que pastores e pensadores venham refletir e produzir uma teologia verdadeiramente brasileira e não apenas lusofônica, um fazer teológico, bíblico e cultural que atinja a cosmovisão dessa terra e comunique com afinco e destreza os corações sertanejos dos rincões do Brasil.


Assim como Caetano, Gil, Luiz Melodia e Gonzaguinha comunicava com uma pequena e privilegiada parcela da população, mas nada falava a grande e volumosa massa, sinto que nossos fazeres teológicos, sobretudo na insistente estratégia de importar teologia, produz um “impacto satisfatório”, porém, verdadeiramente mínimo perto dos mais de 200 milhões de brasileiros. Mas, por ser satisfatório, tem nos feito obesos e pouco efetivos. Tô bem com minhas centenas, que se lasque as centenas de milhares.


Queremos combater heresias e problemas teológicos com remédios em inglês e alemão, todos relevantes aos alemães e falantes d e inglês do século XIX, mas distante dos brasileiros fã de Ana Castela, JM e novela. Pensa em novelas, quem produz mais impacto, uma novela bíblica da Record ou os livros do Lewis?


A Teologia Sertaneja não é uma opção, mas uma culpa e um chamado que recaí sobre pastores, pensadores e teólogos brasileiros. Por Alexandre de Almeida



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